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Alegria e Agonia, do Monte Tabor ao Getsemani

Os Apóstolos Pedro, Tiago e João são chamados de Colunas da Igreja, e são os mais íntimos de Jesus durante Sua vida terrena. Eles estiveram na maioria dos momentos mais importantes da vida do Filho de Deus, mesmo que só um deles estivesse em alguns acontecimentos, como na crucificação, onde estava apenas João.

Eles eram simples pescadores que recebendo a palavra do Messias decidiram por segui-Lo, deixando tudo para trás. Embarcaram numa jornada que se iniciou na barca de Pedro no Mar da Galileia e perdura até hoje ainda na Barca de Pedro: a Igreja Católica Apostólica Romana, fundada pelo próprio Cristo sobre sua Pedra e Colunas. Esses homens têm cada um sua própria história de conversão, e têm também personalidades bem distintas. Mas os três participaram de momentos ímpares para humanidade, viram coisas que muitos homens, reis e profetas desejavam ver.

A transfiguração

Três dos quatro Evangelhos narram a Transfiguração de Jesus no Monte Tabor, onde apareceram Elias e Moisés, são eles: Mateus(17, 1-9), Marcos (9, 2-8) e Lucas (9, 28-33). Esse é um momento muito importante na vida dos apóstolos que lá estavam: Pedro, Tiago e João, pois puderam perceber o poder e a glória de Deus manifestada em Cristo.

Suas roupas se tornaram tão brancas que nenhuma lavadeira no mundo inteiro podia deixá-las daquele jeito, assim escreveu Lucas no Evangelho. Moisés e Elias apareceram junto a Jesus e tratavam  com Ele sobre Sua Paixão. Quando os apóstolos viram aquilo ficaram verdadeiramente maravilhados com tremenda visão. Pois dois dos profetas do povo de Israel se faziam ver a olho nu, junto d’Aquele que eles acreditavam ser o filho de Deus.

Qualquer pessoa ficaria sem reação diante dessa cena, mas o que Pedro fez foi propor que fossem armadas três tendas, pois queria que aquele momento durasse para sempre, desejava que o mundo inteiro conhecesse a glória que ali se manifestava, e que ela fosse permanente naquele lugar. Estavam todos os três cheios de admiração. Quando a nuvem se formou e dela saiu uma voz que afirmou que Jesus era o filho de Deus, Elias e Moisés sumiram, e Cristo estava novamente sozinho com os três apóstolos. Que estupenda, que maravilhosa deve ter sido a sensação que eles sentiram naquele momento.

Pedro descreve o que viu e dá testemunho, afirmando que Jesus é verdadeiramente o filho de Deus em sua II carta, no capítulo 1, versículos de 16 a 18. Prova do quão emblemático foi aquele dia no monte Tabor. A importância do evento pode se notar facilmente, pois é um enorme privilégio poder presenciar tal cena, ouvir a voz de Deus Pai e ver os profetas junto a Jesus. Tal experiência marcaria a vida de qualquer pessoa, sendo capaz de confirmar a fé em Cristo e impulsionar a vida de quem a experimentasse. Assim como marcou a vida dos apóstolos e os impulsionou a levar o Evangelho aos confins da terra.

Angústia Suprema

Mais uma vez Jesus separa Pedro, Tiago e João do restante dos discípulos e os leva a um lugar reservado onde Ele pudesse orar. Um momento cheio de significados e extremamente profundo da vida do Cristo e dos três apóstolos, pois foi de extrema agonia, e de tentação. Todos os quatro Evangelhos falam do Jardim de Getsemani, ou Jardim das Oliveiras, e eles se completam nas narrativas dos acontecimentos. Aquele era um lugar conhecido pelos apóstolos e por Jesus, eles já haviam ido lá várias vezes para que Jesus pudesse orar, portanto era para eles um lugar de encontro com Deus. Mas naquela noite específica aquele lugar se tornou muito mais que isso, pois ali se expressaria a humanidade do Cristo em sua angústia.

Os evangelhos não deixam claro se os três apóstolos presenciaram o sofrimento de Jesus, pois eles, que haviam sido colocados lá para vigiar, acabaram pegando no sono. Mas o que se sabe é que Jesus sofreu, chorou e suou sangue, e que um anjo veio consolá-Lo (Lc 22, 43). Foi sua angústia suprema, pois Ele sabia que sua hora era chegada, e o cálice do qual deveria beber não podia lhe ser afastado. Ele disse aos discípulos que Sua alma estava triste até a morte (Mt 26, 38 e Mc 14, 34), o que, podemos imaginar, levou-os à tristeza. O Mestre que lhes tinha chamado, Aquele que eles viram se transfigurar na sua frente, estava triste e angustiado. Isso com certeza comoveu aqueles homens, pois amavam a Jesus acima de tudo e de todos, e queriam o bem d’Ele, apesar de saberem que Sua missão era se entregar pelos nossos pecados.

Aqueles que vigiavam, dormiram, e Jesus se viu só em sua agonia. O Evangelho de São Lucas, no capítulo 22, versículo 45 diz que Jesus ao retornar a eles os encontrou “adormecidos de tristeza”. Podemos imaginar quão tristes estavam, a ponto de perderem as forças e se deixarem vencer pelo sono. O sono do medo, talvez da falta de fé, da angústia e do desespero, pois não sabiam o que aconteceria naquele lugar, o que se daria nas horas seguintes. O medo e a confusão tomou conta de seus corações de forma avassaladora quando Judas chegou com os soldados, para que Jesus fosse levado, tudo parecia perdido.

Pedro se desesperou de tal maneira que a golpe de espada decepou a orelha de um soldado. Ora, aquele homem que largou tudo para seguir a Jesus queria defender seu Mestre a todo custo, pois estava com a mente confusa, como qualquer pessoa ficaria ao passar por momentos de tensão ou medo. Foi a primeira reação daquele que amava a Cristo com suas forças, que se sentia mal por ter dormido enquanto Ele sofria, que não queria que Jesus lhe fosse tirado. Esta é a representação da angústia que viveram os apóstolos naquela noite. Um contraste total em relação à experiência do Monte Tabor.

Conclusão

Foram dois momentos distintos e importantes na vida de Jesus e dos apóstolos. Situações que se contrastam totalmente, pois numa se manifestou a alegria e noutra a tristeza. A alegria pode ser frívola, a admiração de uma situação pode durar apenas alguns minutos, talvez dias, mas o que se tem depois é somente a lembrança daquilo que passou. Obviamente precisamos de momentos alegres e felizes em nossas vidas, até mesmo para manter a esperança. Porém não podemos nos prender a esses momentos a ponto de esquecermos a realidade da vida e do mundo. Estar no Monte Tabor é importante, mas estar em Getsemani é edificante. Pois é no sofrimento que somos realmente provados, é quando as coisas parecem perdidas que a nossa fé é testada.

Estar nos dois é o mais correto, pois foi isso que fez com que Pedro, Tiago e João prosseguissem, pois puderam ver o Deus e o Homem que era Cristo. Puderam se apaixonar pela glória de Deus que se manifestou na Transfiguração, e provar esse amor na agonia do Homem em Sua angústia suprema.

Termino com as palavras do nosso Papa Emérito Bento XVI ao falar sobre o Apóstolo São Tiago Maior:

E no fim, resumindo tudo, podemos dizer que a jornada, não só exterior, mas acima de tudo interior, do monte da Transfiguração ao monte da Agonia, simboliza toda a peregrinação da vida cristã, entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus, como diz o Concílio Vaticano II. Seguindo Jesus como São Tiago, sabemos que, mesmo nas dificuldades, estamos no caminho certo.¹

Podemos acrescentar no texto acima os nomes de São Pedro São João ao nome de São Tiago, pois seguindo a Cristo como eles fizeram estaremos no caminho certo!

Paz e misericórdia!


¹ – Os Apóstolos – Uma Introdução às Origens da Fé Cristã. Papa Bento XVI. 2008. Pág 80.

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