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Contrabalançar o mundo

Você com certeza já ouviu aquela frase que diz que o cristão deve andar na contramão do mundo, ou outra que diz que devemos nadar contra a corrente. É muito comum ouvir coisas do tipo por ai, mas infelizmente o relativismo tem tomado conta da Igreja e de seus movimentos. A mornidão tem se apoderado de muitos crentes no mundo à fora, o que impede aquele que segue a Cristo de ser realmente diferente do resto do mundo.

Nada disso é novidade, o mundo está cheio de católicos mornos, que geralmente são chamados de “católicos jujuba”, dentre outros codinomes. E infelizmente a visão que aqueles que estão fora da Igreja, muitas vezes, tem dela, é a que esses “fiéis” mornos demonstram, com práticas de libertinagem, sincretismo religioso, promiscuidade, apostasia, hipocrisia, etc.

Posso até estar sendo um pouco duro com este texto, mas a palavra de Deus nos exorta no livro do Apocalipse, capítulo 3, versículos 14 e 15: “Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente. Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te.” Esta é uma exortação dada à Igreja da Laudicéia, mas que é certamente direcionada a todos os cristãos. Não podemos deixar que nossa fé caia no comodismo, nem dar contra testemunho daquilo que pregamos ou dizemos viver, isso seria zombar do sangue dos mártires.

Há católicos que vivem de tanto faz, para quem a religião deixa de ser importante e as coisas mundanas tomam o lugar que deve ser destinado unicamente a Deus. Aos poucos deixamos de acreditar na autoridade da Igreja, depois desprezamos seus ensinamentos, por fim a deixamos. Assim nos tornamos protestantes dentro da Igreja, pois queremos que ela seja segundo o nosso desejo, que seja a Igreja que eu quero, com as regras e dogmas que me são convenientes. Quem age assim, ainda se chateia quando encontra um católico autentico que lhe convida à conversão, e se justificam dizendo: “Deus vê o coração”.

Ora, se Deus olhasse apenas o coração, teria feito o homem apenas com coração, sem mente, alma e corpo. Sei que quando dizem essa frase se referem à intenção do coração, mas “as árvores são conhecidas pelos seus frutos” (Cf. Lucas 6, 44) e não simplesmente pelas intenções, pois “a fé sem obras é morta”. (Cf. Tiago 2, 17) E o homem é o que é em sua totalidade e não apenas no coração. Os fruto que os católicos mornos dão é a confusão em relação ao cristianismo.

Outros dizem que o importante é ter Jesus. Meu irmão, Cristo é a cabeça do corpo que é a Igreja (Cf. Col 1, 19). O corpo não vive sem a cabeça, nem a cabeça sem corpo, é uma lógica simples. Você não pode amar a cabeça e desprezar o corpo, ou vice e versa. E a Igreja não se resume apenas a você ou a mim, ou ao papa, ou quem quer que seja. Ela é 2000 mil anos de história, estudos, revelações, aparições, santos, pecadores, dogmas, verdades de fé, etc. A noiva de Cristo, que é a Igreja, não é apenas aquilo que você ou eu queiramos que ela seja, mas aquilo que Jesus quer que ela seja.

Então como se combate a mornidão e o relativismo? A resposta deve ser dada com muito mais do que palavras, com o testemunho vivo e sincero de seguimento a Cristo e amor a Igreja. O papa emérito Bento XVI escreveu no seu livro Os Apóstolos, uma introdução às origens da fé Cristã, o seguinte:

Embora não faltem na Igreja cristãos indignos e traidores, cabe a cada um de nós contrabalançar o mal por eles praticado com o nosso testemunho cristalino a Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.

Os Apóstolos – p. 141.

Ou seja, enquanto os maus católicos balançam a Igreja e o mundo pro lado da confusão, nós devemos assumir a posição de filhos de Deus e da Igreja e balançar pro lado da santidade e do esclarecimento. Devemos ser o contrapeso na balança, assim como foram os dez justos da prece de Abraão em Gênesis 18, ocasião em que Deus disse que não destruiria a cidade se ali houvessem dez pessoas justas. Portanto, um justo pode salvar uma cidade, como disseram os padres João Henrique e Antonello, fundadores da comunidade Aliança de Misericórdia.

Devemos seguir o exemplo de Matias, que ao substituir Judas Iscariotes no colégio apostólico e sendo fiel a Cristo,  foi o contrapeso em relação aos erros de Judas. Devemos contrabalançar dando testemunho de nossa fé, sem negá-la em nenhuma circunstância, seja perante protestantes, ateus, falsos católicos ou qualquer outra pessoa, assim como fizeram os mártires da Igreja, seguindo Cristo até o fim. Devemos honrar o sangue derramado por eles e a fé que nos transmitiram.

Esse combate deve ser travado a cada dia por todo e qualquer católico, através da oração e da vivência dos ensinamentos de Cristo Jesus. Que Deus possa, pela intercessão da bem-aventurada sempre Virgem Maria, e por meio do Espírito Santo nos ajudar a dar testemunho sincero da nossa fé. Amém!

 

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