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Eucatástrofe, O Senhor dos Anéis e a Virgem Maria

A palavra catástrofe vem do latim: catastrŏphe (o qual, por sua vez, deriva de um vocábulo grego que significa “ruína” ou “abalo”) e se refere sempre a um acontecimento desastroso de grandes proporções. Geralmente esse termo é empregado a acontecimentos naturais, como furacões, erupções, enchentes, etc. Mas também é usado para definir situações, por exemplo: quando a seleção brasileira de futebol perdeu por 7 a 1 para o time da Alemanha na copa do mundo de 2014, foi uma verdadeira catástrofe. Ou seja, é sempre referido a coisas ruins, a acontecimentos indesejados e inesperados. Tudo vai indo bem, e de repente acontece algo muito ruim. Ou ainda para definir a conclusão de uma peça teatral.

Os fãs de O Senhor dos Anéis, e da literatura de J.R.R. Tolkien conhecem as dificuldades que Frodo e Sam enfrentaram para chegar à montanha da perdição, onde Frodo deveria destruir o Um Anel. Desde a perseguição dos Nazgûl no Condado à subida dolorosa da montanha, muita coisa aconteceu. Os jovens hobbits não eram mais os mesmos, já não tinham por perto suas camas fofinhas e nem seus chás da tarde. O mundo se tornara um lugar escuro e perverso. Eles já haviam percorrido mais de 4 mil quilômetros em um intervalo de pouco mais de 6 meses, desde a vila dos hobbits até o interior de Mordor. (Valinor)

De toda forma tudo se encaminhava para um fim heroico, bastava a Frodo jogar o Anel no fogo do coração da montanha, para que ele fosse destruído e o poder crescente de Sauron cessasse. Mas de repente, atraído pelo poder do anel, o jovem hobbit o colocou no dedo e reivindicou para si o poder que aquele objeto guardava. Seria um final trágico! Toda a caminhada, todas as dificuldades, teriam sido em vão. Tudo parecia perdido, o olho de Sauron avistou Frodo e ordenou que seus cavaleiros alados voassem até ele, e foram em disparada, rumo ao que seria o fim da liberdade na Terra Média.

O fim trágico era eminente, quando Gollum arrancou o anel da mão de Frodo e caiu com ele na larva no interior da montanha, destruindo assim o anel. O poder do Senhor do Escuro se extinguiu, as criaturas maléficas comandadas por ele se enfraqueceram e muitas foram destruídas, a paz voltou a reinar na Terra Média. Eis a eucatástrofe, quando tudo parece perdido, mas de repente acontece algo bom que muda toda a história e resolvem-se os grandes problemas. Quando de uma história triste surge a inesperada felicidade.

Tolkien criou esta palavra e a adicionou nos dicionários, ele a definiu como “a repentina mudança feliz em uma história que o atinge com uma alegria que o leva às lágrimas.” (As Cartas de J.R.R. Tolkien, 89). Como em um milagre, onde ninguém vê mais esperança de que um enfermo possa ser curado, mas pela a intervenção divina tudo se transforma, e aquele que estava doente se levanta e glorifica ao Senhor.

Como a filha de Jairo e a hemorroíssa no Evangelho de São Lucas, capítulo 8, versículos do 40 ao 56. Ambas estavam doentes, uma delas sofria há vários anos, tinha gastado todo o seu dinheiro e numa atitude ousada se jogou aos pés de Jesus e obteve a cura. Enquanto Cristo a curava, a menina filha de Jairo morria, e para aquela família tudo estava acabado, mas Ele segurou a mão da jovem e a ordenou que levantasse, ela se levantou viva e curada.

Ouvindo a explicação desse trecho na Missa dominical, Tolkien conseguiu notar aquilo que ele tentava empregar em seus contos. O padre contou algumas histórias, e numa delas um testemunho de um garoto que sofria de uma doença chamada peritonite tuberculosa, e tendo ido à Lourdes, levado por seus pais a visitar a gruta onde a Virgem Santíssima aparecera à Santa Bernadete, não recebeu sua cura. Na volta para casa, viajava no mesmo trem uma garotinha que havia sido curada, e ao passarem à vista da gruta o menino foi brincar com ela. Ao voltar para os pais disse: “estou com fome”. Ele estava curado, pois devido à doença não conseguia comer direito e mal sentia fome. Tal história deixou Tolkien profundamente comovido, pois ele percebeu que milagres são introduzidos e manifestados na nossa vida em coisas triviais, como o fato do garoto ter comido após ser curado, assim como a filha de Jairo. Comer é tão simples, tão necessário, tão trivial. E nisso podemos perceber a verdadeira eucatástrofe: a manifestação de Deus, a revelação divina.

A Virgem Maria apareceu em Lourdes como um grande sinal de Deus de que os pobres e pequenos, como era Santa Bernadette e muitos outros, não estão abandonados. Ainda há esperança, Cristo ressuscitou depois de três dias, quando os discípulos estavam com medo e confusos. Tudo parecia ter terminado mal para os discípulos de Emaús, mas Jesus ressurgiu e trouxe a alegria e a esperança. Maria Santíssima tem trazido mensagens de esperança em Lourdes, Fátima, Guadalupe, etc. e tem sido a eucatástrofe para muitos, assim como foi naquela manhã em Nazaré, quando deu seu sim.

Em nossas vidas muitas vezes nos deparamos com situações como essas, onde tudo parece sem solução, mas de maneira inexplicável tudo se resolve. Deus tem resgatado muitas pessoas desta forma, levantando da mais suja e tenebrosa escuridão, mostrando que há sim esperança, e ela vem do céu. Convido você agora a lembrar de momentos na sua vida, ou na vida de algum familiar ou conhecido, em que isso aconteceu de forma inexplicável.

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