MENU

Invencível – um exemplo de conversão e superação

Bom, não sou um grande leitor, mas nos últimos anos tenho dedicado uma porcentagem de meu tempo a este exercício tão magnífico, que me leva a lugares, tempos, mundos e vidas distintas, e me apresenta coisas que jamais conheceria se não pela leitura.

Desde 2014 concentro meus estudos nos conflitos do século XX, especialmente na Segunda Guerra Mundial, acredito que o entendimento de eventos históricos como este pode nos ajudar a entender o mundo hoje e tentar melhora-lo. E acredito também que para entender tamanho acontecimento é preciso, além de saber dos fatos que acarretaram no fim, conhecer os relatos de pessoas que viveram nessa época, que sofreram com tal flagelo, que viram amigos e familiares sucumbirem de diversas formas, e que acompanharam a série de eventos políticos, militares e populares. Com esse fim busco por filmes, documentários, livros, artigos e outras leituras ou meios.

Vi um filme chamado Invencível (original: Unbroken), um belíssimo filme dirigido por Angelina Jolie, que falava da história de um atleta olímpico que foi pra guerra e sofreu horrores como prisioneiro. Gostei do filme, achei a história incrível e então soube que era inspirado em um livro e me decidi em lê-lo. Então li.

Invencível, a história

Louis Zamperini é filho de imigrantes italianos que moram em Torrance, Califórnia. Um adolescente rebelde, que vive se metendo em confusão, até que o irmão mais velho, Pete, o incentiva a correr como atleta na escola local, e então o garoto descobre um dom, e se torna o maior corredor de milha estudantil dos Estados Unidos em poucos anos. Aos 19 anos ele participa dos jogos olímpicos de Berlin, 1936. Vai bem, mas sua meta era os jogos de Tóquio em 1940, pois estaria mais experiente e preparado, queria o ouro. Com o estouro da guerra os jogos foram cancelados, e quando os EUA entrou na guerra em 1941, Louie, assim como outros atletas de ponta, entrou na guerra.

Louie, como era carinhosamente chamado pelos mais próximos, se tornou artilheiro de bombardeiro B-24, e em uma de suas missões seu avião caiu no mar, restando apenas três sobreviventes: Louie, o piloto Phill, e o artilheiro Mac. Os três ficaram a deriva no pacífico por 47 dias, comendo peixe cru, bebendo água de chuva e sangue de aves, além de serem perseguidos por tubarões famintos tanto quanto eles. Durante isso Mac faleceu, e depois de alguns dias os outros dois sobreviventes foram capturados por japoneses e enviados para campos de prisioneiros. Phill e Louie eram grandes amigos, mas depois de certo tempo foram enviados para campos diferentes.

O sofrimento nos campos de prisioneiros deixaram grandes sequelas em muitos soldados americanos, principalmente nos presos pelo Japão. Isso se deu pela crueldade desumana dos japoneses para com os prisioneiros de guerra. Louie passou por três campos, e no segundo ele conheceu seu maior carrasco: o cabo japonês Watanabe, cruel, dissimulado e impiedoso. Louie se acostumou com as surras, injúrias e humilhações da parte de Watanabe, que tinha sido apelidado de Bird (Passáro) pelos americanos. Com o tempo Bird foi promovido a sargento, e transferido para outro campo, mas ele fez questão de pedir a transferência de Louie para onde estava, o campo de Naoetsu, no oeste do Japão. As agressões continuavam, e se tornavam cada vez mais violentas.

Após o fim da guerra, Louie voltou para casa, mas Bird e todo o sofrimento o acompanhou nas lembranças e traumas, o que fez com que ele buscasse refúgio nas bebidas para evitar as lembranças. Ele sonhava constantemente com Bird, na maioria das vezes estava travando uma luta com ele, e perdendo. Bebia até apagar, para não ter que dormir pensando naquilo e assim sonhar. Sofria com os flashbacks e com as lembranças que eram ativadas com coisas simples do cotidiano como arroz branco, gritos ou batidas bruscas de portas. A guerra havia acabado, mas em Louie ela apenas começava. Ele casou-se e teve uma filha, mas as bebedeiras atrapalhavam tudo, as vezes sonhava que estava estrangulando seu agressor, e acordava molhado de suor apertando o pescoço de sua esposa grávida, ou o travesseiro. Aquilo era terrível, e ele se afundava ainda mais nas bebidas e na vontade de se vingar de Bird, a ponto de tentar ir ao Japão para encontrá-lo e matá-lo. Na cabeça de Louie o assassinato de seu carrasco resolveria tudo, mas não conseguiu executar seus planos.

Todos estavam preocupados com Louie, mas ele não ouvia ninguém, sua esposa decidiu se divorciar dele, mas mudou de ideia ao ouvir o sermão de um pregador evangélico que se encontrava na cidade e juntava grandes multidões em uma tenda no centro de Los Angeles, onde Louie morava com esposa e filha. Cynthia, a esposa de Louie, insistiu muito até conseguir levar Louie na tenda, mas quando o pregador pediu que a multidão abaixasse a cabeça e fechasse os olhos para orar, Louie fugiu. Da segunda vez não teve como fugir, o missionário leu o evangelho da mulher adultera e pregou sobre arrependimento, Louie reconheceu seus pecados e se lembrou das vezes que prometeu a Deus que se saísse vivo daqueles momentos angustiantes, daria a sua vida para O servir. Voltando para casa ele jogou fora toda a bebida que tinha estocada, assim como o cigarro e as revistas de conteúdo adulto que tinha escondidas. Decidiu mudar, e cumprir sua parte do trato com Deus.

Louie agora era um novo homem, passou a ver todo seu sofrimento com um olhar de gratidão a Deus por ter permitido que ele vivesse. Conseguiu voltar ao Japão e visitou a prisão onde seus antigos opressores estavam presos por crimes de guerra, Bird não estava lá, as autoridades não conseguiram capturá-lo, mas Louie conseguiu perdoá-lo finalmente, pensando nele com misericórdia e compaixão pela primeira vez. Apertou a mão de cada prisioneiro com um sorriso no rosto, alguns deles tinham-no maltratado anos atrás, e também maltratado amigos dele até a morte, ou bem perto.

Louie passou a dar palestras cristãs em todo território americano, e a ajudar meninos levados com um acampamento sem fins lucrativos, era de fato um novo homem. Não sonhava mais com Bird, ou com a guerra, não tinha mais flashbacks e falava do assunto com calma e controle de si.

O livro, opinião

Laura Hillenbrand é a autora de Invencível, um livro “emocionante… esplêndido e inspirador… de um suspense quase interrupto.” (Los Angeles Times). É de fato um livro muito bom, superou as minhas expectativas a seu respeito. Achei que seria um relato de guerra tomado por abusos ao sentimentalismo do leitor, que iria exaltar a bandeira americana e subjugar os japoneses. Mas não!

O livro é emocionante, mas não é abusivo, o suspense soube ser colocado nos lugares certos, a incitação da imaginação na descrições dos cenários é maravilhosa. O leitor consegue se sentir presente nos ambientes. A contextualização da época é feita de forma séria e bem baseada,  é uma ótima fonte de estudos a cerca da guerra do pacífico e sobre a situações dos prisioneiros de guerra do império japonês, mostrando sua situação no pós-guerra e a taxa de mortalidade. Além de ser imparcial quanto à culpa ou inocência dos envolvidos no conflito.

As imagens originais presentes no livro facilitam o entendimento de certas partes da história e também a imaginar melhor os ambientes, personagens e acontecimentos.

A história em si é inspiradora, mas a forma como a autora a colocou, fez com que as partes do todo se encaixassem de forma a ser mais fácil ter empatia com o personagem e se imaginar naquela situação. Para religiosos a inspiração no final talvez seja maior, assim como foi para mim, pois a conversão e decisão de ser melhor da parte de Louie é comovente.

Invencível, um ótimo livro!

COMMENTS: 2
  1. junho 25, 2015 by Cleylton Ferreira dos Santos Reply

    Muito bom. Estou instigado a ler. Você o leu na língua Inglesa?

    • junho 25, 2015 by jayralencar Reply

      Não, li em português mesmo.
      O filme também é muito bom apesar das limitações comuns às adaptações.

Leave a Comment!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *