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Jesus Cristo e Aragorn, o sem-coroa há de reinar

De onde pode vir a esperança de um povo? – Do lugar menos esperado talvez, como vimos no último texto: Rei Davi e hobbits, as aparências enganam. As aparências realmente enganam, de onde menos se espera vem a luz. É como a tempestade que de repente se finda, e o sol surge soberano a iluminar.

Para os cristãos, Cristo é a verdadeira esperança, de quem provém toda a luz e verdade. Não podemos compara-Lo com pessoas ou personagens corruptíveis como Aragorn, mas como visto no texto anterior, a obra de Tolkien é repleta de arquétipos que representam em conjunto, e talvez nunca sozinhos, personalidades e elementos bíblicos ou cristãos. E Aragorn é um dos personagens que representam o Cristo, mais especificamente o Cristo Rei.

Aragorn

Um homem nascido em um tempo difícil, quando sua raça era caçada e dizimada por aqueles que queriam dominar a Terra Média. Descendente de reis, mas por causa das perseguições e da morte de seus antecedentes teve que se esconder, e escondido ficou, enquanto o trono que lhe era de direito era ocupado por regentes.

Sendo um dos poucos Dunedain sobreviventes, viveu como guardião em segredo, andando e vagando pela Terra Média protegendo aqueles que nem se quer sabiam do perigo que crescia cada vez mais. Viajava em missões pela amizade de Gandalf, e era visto como um vagabundo perigoso por muitos.

Em Bri, que é onde, no livro O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel, ele entra em ação, muitos o temem, e o veem como um homem sombrio ou um andarilho desocupado, sem rumo ou destino. E ninguém poderia imaginar que um dia ele se tornaria um rei poderoso e compassivo.

Cristo

Dispensa apresentações. O Rei, mas que nasceu pobre, em lugar pobre e de pais pobres. Viveu escondido por vários anos e não se revelava como realmente era até chegar o tempo oportuno.

Viveu uma vida simples e um dia se revelou ao mundo como um novo profeta que falava e curava com autoridade em nome de Deus. Mas muitos ainda o viam como um andarilho, como um mendigo viajante, ou como um louco que dizia ser O Filho de Deus.

Andava no meio do povo e aconselhava os abatidos, trazia esperança aos desanimados, saúde aos doentes e voz aos que não eram ouvidos. Mas havia quem o odiasse. Pessoas que o tratavam com desprezo e armavam para prendê-lo.

Um pobre, filho de carpinteiro, vindo de Nazaré, “e de lá pode vir boa coisa?” (Jo 1, 46). Mas veio, o messias de lá surgiu. Nascido de mulher, da tribo de Davi, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, e um dia, morrendo voltou à vida e nos salvou do pecado e da morte.

Nem todo vagante é vadio

No salão do Pônei Saltitante, em Bri, Frodo encontrou Aragorn. O viu num canto escuro, sentado fumando um cachimbo, com o rosto meio coberto com um capuz e envolto pela fumaça. Percebeu que ele não parava de olha-lo e teve medo. E quem não teria, ainda mais com o relatório que o dono da hospedagem deu dele: “Não sei ao certo… Pouco fala… É um dos errantes, dos guardiões…”?

Quem de fato era aquele homem ninguém sabia, mas uma carta que Gandalf tinha deixado com o velho Carrapicho, o dono da hospedaria, endereçada a Frodo logo explicou tudo: “Você pode encontrar um amigo meu na Estrada: um homem, esbelto, moreno, alto, que alguns chamam de Passolargo.”

A carta continha um verso:

Nem tudo que é ouro fulgura,

Nem todo viajante é vadio…

O que era amigo de Gandalf tornou-se amigo também de Frodo. Viaja, mas não sem rumo, sabe o seu destino, assim como Cristo, e anseia por alcança-lo e cumprir sua sina. Andavam ambos rumo às suas “Jerusalém” aos seus calvários, para cumprir cada um a missão que lhe tinha sido confiada.

Das sombras a luz vai jorrar

“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu a luz.” (Isaias 9,1)

Como o sol que nasceu, trazendo a esperança de um dia melhor. Como o Cristo que retorna das sombras da morte. Como Aragorn, filho de Arathorn que retornou a Gondor para assumir o reino de seus pais, e iniciar a era dos homens. Assim nasce a esperança! Imagine um sertanejo nordestino que espera a chuva há meses, e um belo dia ela cai torrencialmente. Grande é sua alegria, como grande é a alegria de um povo cujo rei retorna.

Um povo que vivia com medo da escravidão e da dominação do mal, voltou a ter esperança e um novo dia surgiu. Como um clarão que acaba com toda a escuridão, que cura os enfermos com a autoridade de um rei, pois disse uma sábia mulher: “As mãos de um rei são as mãos de um curador, e dessa forma o verdadeiro rei será conhecido.”

O verdadeiro Rei curou, caminhou no nosso meio se fez igual a nós em tudo, exceto no pecado. Sofreu e morreu por nós, mas retornou, Cristo ressuscitou, eis o Retorno do Rei! Quem imaginaria?

Como o sol que só nasce do oriente, nossa esperança só vem de Cristo, e de ninguém mais.

E o poema na carta de Gandalf continua:

…O velho que é forte perdura,

Raiz funda não sofre o frio,

Das cinzas um fogo há de vir,

Das sombras a luz há de jorrar;

A espada há de, nova, luzir,

O sem-coroa há de reinar.

E o sem-coroa reinou, e reina. Viva Cristo Rei.

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