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Maria, a Bem-aventurada Arca da Nova e Eterna Aliança

“Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.” (Lucas 1, 34 e 35)

A sombra do Altíssimo

A sombra do Altíssimo desceu sobre Maria quando ela concebeu do Espírito Santo. Ou seja, sobre ela veio a presença real de Deus, que se manifestou várias vezes no Antigo Testamento por meio de sua sombra ou nuvem.

Em alguns momentos da vida do povo de Israel, desde a saída do Egito, a sombra do Senhor se manifesta para conduzi-los ou para revelar alguma coisa a seus profetas. Quando Moisés recebe os dez mandamentos, em Êxodo, capítulo 34, o Senhor desce sobre ele em uma nuvem de fumaça, para que Moisés não pudesse ver Seu rosto. Esse episódio é muito importante para a antiga e nova alianças, pois é o momento em que nos é manifestada a vontade de Deus através das leis e dos mandamentos.

Sabemos que as Tábuas da Lei foram guardadas dentro da Arca da Aliança, junto com um pote de ouro cheio de Maná e a vara de Aarão, que floresceu diante de Deus¹. Quando a arca foi introduzida no Tabernáculo, como podemos ler em Êxodo, capítulo 40, versículo 34, na Tenda da Reunião, o Senhor se manifestou mais uma vez por meio de Sua sombra, para indicar que ali seria Sua morada.

Mais uma vez, quando Salomão fez que introduzissem a Arca no Santo dos Santos, no Templo que acabara de ser construído, a sombra do Altíssimo se manifestou. Pois a Arca da Aliança era também o sinal da presença de Deus, um memorial do que havia sido selado com o povo.

Podemos então concluir que Maria é a Arca da Nova e Eterna Aliança, pois a ela o Altíssimo se manifestou como antes havia feito com a antiga arca, descendo sobre ela com Sua sombra e a encobrindo com Seu poder. Além disso podemos fazer analogias com o Cristo em relação ao que havia dentro da primeira arca.

Jesus é o pão descido do céu². É o novo maná, que alimenta o povo peregrino nesta terra. Ele é também a nova lei, que não está mais escrita em tábuas, mas nos corações. O cajado de Arão pode ser relacionado ao Cristo sacerdote ou ao reinado de Cristo, que conduz suas ovelhas e às indica o caminho.

A Virgem Santíssima alcançou tal graça por que era agradável ao Senhor, por viver de forma verdadeira a antiga aliança, e por já viver a Nova Aliança no seu coração. Ela se tornou sinal da presença de Deus, pois o esposo quer estar onde a esposa está, e Maria é a esposa do Espírito Santo, portanto onde ela está, Ele também está.

Maria, a bem-aventurada

O Papa Francisco disse em uma de suas homilias que as Bem-aventuranças “são os novos mandamentos” e que elas só podem ser compreendidas se o coração se abrir à ação do Espírito Santo3. Elas são atitudes fundamentais para a vivência do Evangelho, é um programa de ajuste da vida do cristão ao reino dos céus. Aquele que as vive encontra graça diante do Senhor.

Com Maria devemos aprender a viver esses novos mandamentos, pois ela é bem-aventurada e bendita entre as mulheres4. E para isso devemos conhecê-la melhor, saber quais são suas virtudes. Devemos nos espelhar nela, que é o modelo mais perfeito de seguimento a Cristo e “Obra Prima do Altíssimo”, como diz São Luís Maria Grignon de Monfort no Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem5.

Olhando para Maria, contemplando sua vida através do que dela foi falado nas Sagradas Escrituras, e estudando o que São Luís de Monfort escreveu no Tratado, percebemos que as bem-aventuranças citadas por Mateus no capítulo 5, versículos de 3 a 11, são inteiramente contempladas por ela.

 “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus!”

Ser pobre de espírito é não ter ambições por coisas deste mundo, mas esperar tudo da misericórdia e providência infinitas do Senhor e almejar o céu acima de tudo. Aquele que vende tudo para comprar o terreno onde o tesouro está escondido é pobre de espírito, pois abdica dos bens terrestres para conquistar a coroa incorruptível da eternidade.

Sobre a humildade de Maria, São Luís de Montfort escreveu: “A sua humildade foi tão profunda que não teve na terra atrativo mais poderoso, nem mais contínuo, do que ocultar-se a si mesma e perante toda a criatura, para que só Deus a conhecesse. ” (Tratado, 2) Ela se ocultou do mundo e revelou-se somente a Deus: “Eis aqui a serva do Senhor. ”6 Fazendo assim com que Ele seja exaltado, enquanto ela apenas diminuía.

Assim também nós devemos nos apresentar pobres diante do Senhor, pequenos e necessitados de Sua misericórdia, seguindo o exemplo da Santíssima Virgem. Para isso precisamos estar dispostos a nos deixar moldar por Maria, para que sejamos formados à imagem de Cristo.

“Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados!”

Chorar é saber sofrer as intempéries da vida. Feliz aquele que sofre e chora sem reclamar a outros a culpa do seu sofrimento, sem maldizer o nome de Deus. Maria sofreu aos pés da cruz até o fim, e chorou, como qualquer mãe choraria a morte de seu filho. Mas em momento algum amaldiçoou o Senhor ou coisas do tipo. Ela era ciente das promessas de Deus, sabia muito bem que a cruz era só uma fase e que logo veria de novo seu Filho na glória da ressurreição.

O cristão deve aprender a viver seus sofrimentos como Maria, sem murmurar. Aceitando os planos de Deus para cada tempo e acreditando nas Suas promessas. O mundo está cheio de pessoas que se “vitimizam” por qualquer coisa, e enchem os ouvidos de Deus e dos outros de murmuração, muitos colocam nas redes sociais o seu “mimimi” ou reclamação do que quer que as tenha desagradado. Não podemos deixar que nossa vida seja uma constante reclamação, devemos aprender da Virgem Maria como sofrer e esperar os tempos de Deus.

“Bem-aventurados os mansos, pois possuirão a terra!”

“A humilde-mansidão é a virtude das virtudes que Deus tanto nos recomendou”

– São Francisco de Sales

Esta é uma das muitas virtudes da Virgem Maria, que durante toda a sua vida terrena se mostrou mansa. Ser manso é possuir a paz, é ser compassivo e delicado com todos. Devemos ser mansos principalmente com os mais necessitados, ou com aquelas pessoas que nos tiram do sério, pois ser manso com quem é manso conosco é fácil, e isso até os não cristãos fazem.

Nós devemos ser a diferença nesse mundo, um exemplo de mansidão e compaixão assim como Maria, que é mansa a ponto de não se exaltar ou levantar a voz mesmo em situações críticas. Ela nos mostra sua mansidão ao interceder por nós mesmo em meio a nossa multidão de pecados. Mesmo enquanto muitos denigrem sua imagem, ela continua a rezar por todos como uma mãe que ama seu filho e é paciente a todo custo.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!”

Justiça quer dizer cumprimento da lei, e aquele que cumpre a lei de Deus é santo. Portanto o que tem sede e fome de justiça, anseia intensamente pela santidade e pela perfeição. E ninguém nesta terra viveu mais intensamente a santidade do que Maria, excluindo é claro o próprio Cristo, pois nela o Senhor encontrou a sua morada e a porta pela qual Seu Verbo encarnado viria a este mundo.

A vontade de Deus é que nós sejamos santos7. E esta é a maior alegria da Virgem Santíssima: cumprir a vontade de Deus, acima da sua própria. O homem justo sabe que a sua própria vontade não deve prevalecer, e um homem santo sabe que a vontade de Deus está além da nossa compreensão. Como Maria disse: “faça-se em mim segundo a tua palavra”8, mesmo sem saber como aquilo aconteceria.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!”

Para alcançar misericórdia, precisamos ser misericordiosos com os nossos semelhantes. Devemos nos compadecer da miséria alheia e ser um repouso para aqueles que sofrem as diversas perseguições e tribulações do mundo.

Maria alcançou a misericórdia de Deus como ela mesma canta no Magnificat, esse é um sinal de que ela era, e ainda é, misericordiosa. Isso se manifesta nas obras que ela realiza através dos séculos, derramando graças sobre o povo de Deus. São Luís de Monfort denomina a Virgem Santíssima como Tesoureira do Altíssimo, aquela que distribui as graças aos seus fiéis, sendo assim um “canal misterioso, seu aqueduto, por onde faz passar suave e abundantemente as suas misericórdias. ” (Tratado, 24)

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus!”

Deus não desceria para habitar em uma casa impura, Ele não pode se misturar com o pecado, pois Ele é todo bom e Nele não cabe mal ou falha alguma. Se Ele ocupa algum lugar, todo mal ali é expulso, porém em Maria não havia o que ser tirado, pois ela era e continua pura de coração, de alma e de corpo, mesmo antes da anunciação do anjo9.

Podemos relacionar pureza de coração com castidade, assim como fizeram os Santos Padres da Igreja. Sabemos que Maria era virgem e pura, e não havia conhecido homem algum. Entretanto a pureza e a castidade vão muito além da extensão física, mas é também pensar, falar e olhar.

Os sentidos do homem podem manchar o seu coração, e puro é aquele que não tem mancha alguma. Portanto é necessário que evitemos o pecado a todo custo, assim como fez a Santíssima Virgem. Ela é a mestra da pureza, nós devemos entrar na sua escola e sermos formados por ela. Através dela muitos santos chegaram a um estado de graça na pureza e na castidade. Ela é a excelente forma de Deus, na qual devemos nos lançar e nos perder, para nos tornamos o retrato de Jesus Cristo tal qual Ele é na vida real. Ela é a forma Dei, ou seja, a forma de Deus como disse Santo Agostinho10.

“Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!”

Cristo é o príncipe da paz, logo Maria, sua mãe, é a rainha da paz. Vive em paz aquele que encontra seu lugar no mundo e confia a Deus suas riquezas, sejam elas quais forem. A Virgem Santíssima encontrou a paz no cumprimento da Palavra do Senhor e no abandono total em Suas mãos. Nós devemos encontrar nosso lugar no mundo, perceber nossa missão nesta terra, para que assim possamos viver em paz, mesmo que o mundo esteja em meio a guerras e destruição.

Viver a paz também é imitar a Cristo, anunciador do Reino dos céus, onde não haverá dores nem guerras. A vida futura, ou seja, o céu, é o único lugar onde teremos a paz verdadeira e podemos vivê-lo já aqui na terra, pregando e vivendo o Evangelho com a ajuda de nossa Mãe Maria.

“Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!”

O cristão verdadeiro é perseguido desde de o início, assim como o próprio Cristo. Pois a vivencia da justiça, ou seja, da santidade, desperta ódio e inveja nos impuros.

Não podemos dizer que Maria sofreu perseguições diretamente na terra quando aqui estava, pois as Sagradas Escrituras não retratam isso. Porém ela foi e é perseguida indiretamente quando seus filhos o são.

A perseguição é ao mesmo tempo o preço pela santidade e um caminho para alcançá-la, por isso santidade e perseguição andam sempre juntas. Aquele que anuncia a verdade com veemência é perseguido e odiado por aqueles que se sentem atingidos por sua palavra. Aquele que pregar Maria como caminho para se chegar a Cristo, possivelmente, será perseguido por aqueles que não acreditam na intercessão da Mãe de Deus.

Maria é perseguida hoje por aqueles que denigrem sua imagem, que a colocam em lugares impuros seja por meio de palavras ou imagens. E também quando somos humilhados por sua causa. Mas aquele que é perseguido tem o céu por herança, assim como os Santos Mártires.

Ela sofre as calúnias que muitos de nossos irmãos, católicos ou protestantes, pronunciam sobre ela a cada dia. Porém devemos saber que:

“Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.”

– Mateus 5, 11.

Conclusão

Portanto Maria Santíssima, Mãe de Deus e nossa, é para nós exemplo de vivência dos mandamentos e das bem-aventuranças. Peçamos que ela interceda por nós junto a Jesus, para que possamos verdadeiramente viver as bem-aventuranças. Aprendamos com ela o caminho de seguimento de Cristo. E depositemos nela também as nossas esperanças, pois “Maria é uma arma de salvação, que Deus dá aos que quer salvar.” (São João Damasceno)

 

Luana & Jayr

 

Agradecimentos a Fernando Silva pela revisão deste e de muitos outros textos.


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REFERÊNCIAS

1 – Números 17, 7-8;

2 – João 6, 51;

3 – http://www.acidigital.com/noticias/as-bem-aventurancas-sao-os-novos-mandamentos-diz-o-papa-30722/

4 – Lucas 1, 42;

5 – Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, 5;

6 – Lucas 1, 38;

7 – Tessalonicenses 4, 3;

8 – Lucas 1, 38;

9 – Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, 44;

10 – Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, 219-221;

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