MENU

São Judas Tadeu, e o chamado que você insiste em não atender

Segundo o Evangelho de São João, capítulo 14, versículo 22, Judas Tadeu perguntou a Jesus: “Senhor, por que razão hás de manifestar-te a nós e não ao mundo?” Ele desejava saber por que motivo havia Cristo os escolhido, e por qual razão não se manifestava ao mundo como um rei com toda a sua glória. É um questionamento bem atual, pois o desejo do cristão é que Cristo seja conhecido, e Ele poderia muito bem se dar a conhecer por Si só, sem a necessidade de que o anunciássemos.

Entretanto, Cristo não se apresenta como uma coisa, e não é uma ciência a ser estudada e debatida por intelectuais ou cientista. Devemos conhecê-Lo em nossos corações, pois é lá que ele se manifesta e se revela de forma mais sublime. Assim como o próprio Jesus responde a Judas: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada.” A questão está em nos deixarmos ser morada da Trindade, pois é assim que Deus se revela ao mundo: através daqueles que O carregam no coração e na alma e O apresentam aos homens.

Mas aquele a quem Cristo se revelou no coração deve agir como Ele, e ser Sua imagem e semelhança. Para que isso acontece devemos pelejar, assim como nos exorta São Judas em sua carta, no versículo 3.  Devemos evitar o mal e buscar a santidade acima de tudo.

Hoje o Cristianismo é usado como pretexto para inúmeras atitudes e situações erradas, pois muitos daqueles que se dizem convertidos vivem uma vida dupla, zombando da misericórdia divina. E tais indivíduos se introduzem furtivamente no meio dos cristãos a cada dia, pessoas que são capazes de entrar na contradição de, anunciando Jesus, negá-lo, pois dissolvem a doutrina de Cristo segundo suas paixões. ¹

São Judas chega a chamar tais pessoas de “nuvens sem água, levadas pelo vento; árvores que no fim do outono não dão seu fruto, duas vezes mortas, arrancadas pela raiz; ondas bravias do mar a espumar a própria imprudência; astros errantes aos quais está reservada a escuridão das trevas para a eternidade.”² Palavras duras e polêmicas, mas necessárias, que segundo o Papa emérito Bento XVI nos dizem algo muito importante: “No meio de todas as tentações existentes, com todas as correntes da vida moderna, devemos perseverar a identidade da nossa fé.”³

Esse é o ponto: a identidade da fé! O chamado que nos é feito pela carta de São Judas, e todos os dias pela consciência de um verdadeiro cristão, é conservar a identidade da nossa fé, que está constantemente sobre ataque.

Muitos que estão entre nós vivem e pregam coisas totalmente diferentes da doutrina cristã, e são aplaudidos e seguidos por muitos outros. Há hoje na Igreja uma onda de “modinhas”, provocadas pela falta de seriedade e profundidade na vivencia da fé, onde o “oba oba” se instala e a sacralidade é deixada totalmente de lado.

Não podemos deixar que o mundo prevaleça, que as coisas mundanas invadam nossas vidas ao ponto de nos tornarmos nuvens sem água carregas facilmente por qualquer vento de doutrina, ou por qualquer adaptação, que quem quer que seja queira fazer ao Evangelho. A água que deve preencher essas nuvens é o Espírito Santo. É Ele quem nos dá força e resistência.

Muitos cristãos atualmente, sejam católicos ou protestantes, tem a lamentável prática de imitar as coisas de Satanás, trazendo-as para dentro da Igreja, como músicas de ritmos e danças propícias a obscenidade, ou o uso de imagens sacras e referentes ao cristianismo em desfiles pagãos, entre inúmeras outras coisas. Não podemos ser como as ondas indomáveis do mar que espumam sua própria imprudência. Precisamos ter a serenidade e a sabedoria de perceber o que é e o que não é conveniente.

Este é o chamado que Deus nos tem feito a cada dia irmãos, conservar a nossa fé, e não deixar que ela seja desfigurada. Chamado ao qual não podemos ser indiferentes de maneira alguma, pois a palavra de Deus é como uma espada de dois gumes,4 que corta dos dois lados, para ela não há meio termo, o sim é sim e o não é não, o que excede isso vem do demônio.

Não podemos fugir dessa verdade, nem nos escondermos dela, ou seremos hipócritas e infiéis ao chamado de Deus. Que nossas ações reflitam nossas escolhas, e que nossas escolhas sejam em comunhão com a vontade de Deus, para que não sejamos confundidos com árvores infrutíferas. E para que o Reino de Deus se estabeleça de uma vez por todas na vida de cada homem e cada mulher.

“Mas vós, caríssimos, edificai-vos mutuamente sobre o fundamento da vossa santíssima fé. Orai no Espírito Santo. Conservai-vos no amor de Deus, aguardando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna.”

– Judas, 20-21


¹ – Carta de São Judas, versículo 4;

² – Carta de São Judas, versículos 12-13;

³ – Os Apóstolos – Uma introdução às origens da fé cristã. Bento XVI. 2008. Pág. 133;

4 – Hebreus, 4, 12;

5 – Mateus 5, 37.

 

Leave a Comment!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *