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YOUCAT – As Sagradas Escrituras, a carta do amor de Deus para nós

Para melhor entender este texto leia no YOUCAT, da pergunta 14 a 19; se possível o documento Dei Verbum do Concílio Vaticano II, especificamente o parágrafo 11; e o Catecismo da Igreja Católica nos parágrafos de 101 a 141 .

Sabemos que a Sagrada Escritura é o maior documento e prova da revelação divina para nós cristãos, pois nela estão escritas as leis, ensinamentos, exortações, os milagres e prodígios do Senhor e muitas outras coisas que são para nós um alimento de fé.

“Os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro, a verdade que Deus, para nossa salvação, quis que fosse consignada nas sagradas Letras. Por isso, ‘toda a Escritura é divinamente inspirada e útil para ensinar, para corrigir, para instruir na justiça: para que o homem de Deus seja perfeito, experimentado em todas as obras boas.’ ( Tim. 3, 7-17).”(Dei Verbum, 11).

A Bíblia não caiu pronta do céu, nem Deus a ditou a escritores inconscientes, mas “para escrever os livros sagrados, Deus escolheu e serviu-se de homens na posse das suas faculdades e capacidades, para que, agindo Ele neles e por eles, pusesse por escrito, como verdadeiro autor, tudo aquilo e só aquilo que Ele queria.” (Dei Verbum, 11). Os livros presentes na Bíblia são de inspiração do Espírito Santo que, usando de seus profetas, reis, sacerdotes e apóstolos, escreveu os 73 livros que de principio tiveram de ser aceitos pela Igreja Católica, existindo assim um consenso entre as comunidades cristãs do século IV para que fossem fixados no Cânone das Sagradas Escrituras.

É importante lembrar que a Bíblia (do grego biblios = livro), apesar de ser tantas vezes usada como livro histórico, não transmite uma precisão a cerca da história e nem de conhecimentos científico-naturais, pois cada autor vivia conforme seu tempo e de acordo com o modo de viver do povo judeu da época. Mas tudo aquilo que nós seres humanos precisamos saber acerca de Deus está, sem dúvida, descrito nas Sagradas Escrituras desde a criação às primícias da Igreja. É na bíblia que o Senhor Se revela amoroso e compassivo, por isso “A Bíblia é a carta do amor de Deus dirigida a nós.” (Sören Kierkegaard, filósofo).

Por ser então a Escritura uma carta de amor, devemos acolher seus textos com muito zelo e amor, pois se você ao escrever uma carta para alguém com muito carinho, soubesse que este alguém desprezou suas palavras, certamente não ficaria feliz. Saiba que Deus também não fica feliz quando desprezamos ou zombamos de Suas palavras, pois assim como um jovem apaixonado escreve cartas de amor para sua amada, Deus escreveu cada letra pensando em cada um de nós de forma pessoal, com e por amor. “Portanto devemos ler as Sagradas Escrituras com a mesma fé viva da Igreja em que elas surgiram.” (YOUCAT, 16).

No Antigo Testamento (do latim testametum = legado), que é formado por 46 livros, Deus Se mostra como o Criador de tudo que existe e como guia, sustento e educador do mundo. Nele o Senhor começa seu plano de salvação para nós, que se cumpre no Novo Testamento. Além disso, os livros da Antiga Aliança são de grande riqueza em orações, profecias, ensinamentos e também nos salmos que são usados ainda hoje nas orações e celebrações diárias. “A Igreja sempre rechaçou vigorosamente a ideia de rejeitar o Antigo Testamento sob o pretexto de que o Novo o teria feito caducar.” (CIC 123).

Nos primeiros séculos cristãos surgiu na Igreja uma seita que foi denominada de marcionismo, estabelecida por Marcião de Sinope (110 – 160 DC), que seguia preceitos e ideologias gnósticas. Esta doutrina logo se espalhou pela Ásia Menor e antiga Roma, mas foi considerada herética e seu fundador foi excomungado no ano de 144 DC. A seita rejeitava o Antigo Testamento e o julgava como ultrapassado, assim, pregando a existência de dois deuses distintos, um no antigo e outro no novo testamento. É importante que nós, Cristãos de hoje, conheçamos tais episódios para que não caiamos na mesma heresia que Marcião, pois há um só Deus e uma só escritura que é composta por Antigo e Novo testamentos.

O Novo Testamento, por sua vez, é composto por 27 livros que vêm completar aquilo que estava no antigo. É nele que estão os quatro evangelhos, que são o coração da Sagrada Escritura, pois é ai que Deus se mostra como é, e como veio ao nosso encontro no Seu Filho. Os Atos dos Apóstolos mostram aquilo que era a Igreja primitiva que vivia na caridade e na potência do Espírito Santo. As cartas apostólicas vêm como reflexo da luz de Cristo para iluminar o homem em todas as suas dimensões. E, finalmente, o Apocalipse de São João nos ajuda a antever aquilo que será o fim dos tempos.

“Toda a Escritura divina é um único livro, e este livro único é Cristo, já que toda Escritura divina fala de Cristo, e toda Escritura divina se cumpre em Cristo.” (Hugo de São Vitor, Noe 2,8 In CIC 134). Nesta frase tudo se resume e, mais objetivo ainda foi São Jeronimo ao dizer: “Desconhecer a Escritura é desconhecer Cristo.” Ou seja, para conhecer a Jesus é necessário fazer a experiência da leitura e meditação dos Sagrados textos Bíblicos, tentando assim escutar a voz do próprio Cristo, pois como São Francisco de Assis disse: “Ler a Sagrada Escritura significa pedir o conselho de Cristo.” Aí então, voltamos àquela carta de amor, onde o autor não só ama, mas educa, ensina e fortalece, pois Jesus é sem dúvida o melhor conselheiro para qualquer situação.

Para a Igreja de Cristo as Sagradas Escrituras são tão Sagradas e importantes como a Eucaristia, pois ambos alimentam e dirigem a vida daqueles que comungam da palavra e do corpo e sangue do Senhor. Na Santa Missa, primeiro temos a partilha da palavra na mesa que é chamada ambão e depois a partilha do pão da vida na mesa do altar. Em ambos nos encontramos com Cristo, mas os dois se completam e geram em nós uma perfeita comunhão.

Portanto, vivamos o que nos é proposto pela palavra de Deus e comunguemos dela com ardor e amor, esperando e confiando sempre que Deus irá nos falar algo e dar-nos uma mensagem de amor e de paz, pois “A Sagrada Escritura não é algo que pertence ao passado. O Senhor não fala no passado, mas no presente; ele fala conosco hoje, dá-nos a Luz, mostra-nos o caminho da Vida, concede-nos a comunhão, e, assim, prepara-nos e abre-nos para a Paz.” (Bento XVI, 29.03.2006).

Tua Palavra é lâmpada para os meus pés, e luz para o meu caminho” (Sl 118,105).

 


Bibliografia:

Catecismo da Igreja Católica, Vaticano, 1992.

Concílio Vaticano II, documento Dei Verbum, Roma, 1965.

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